Quando uma caneca de 20 reais passa a custar 108,54
Se você soubesse que a caneca que acabou de comprar por 20 reais, para se deleitar com um maravilhoso café, na verdade, custou 108,54, como se sentiria? Se soubesse disso antes, teria comprado a caneca? A resposta deve ser “depende”, visto que não podemos observar tudo em termos meramente objetivos. A vida é mais do que isso, do que números. Ou seja… se é uma caneca que te atende em momentos de apreciação e leitura, que te traz bem estar e uma sensação de alegria… então o assunto encerra aqui.
Mas se é apenas mais um objeto, que serve de decoração, e não para a utilização proposta em sua criação. Se é um objeto que vai ficar guardado em uma prateleira alta, escondido, que será utilizado de tempos em tempos (tempos = se lê “muito, muito, muito tempo”), então precisamos fazer a verificação de 2 termos econômicos: custo total de propriedade e custo de oportunidade, para então entendermos se realmente se trata de uma compra que vale a pena.
O custo de oportunidade nada mais é que o rendimento perdido. Vamos supor que você escolhesse não comprar a caneca e colocasse esses mesmos R$ 20,00 em um investimento conservador de renda fixa, com uma taxa de 10% ao ano. Utilizando a regra dos juros compostos, após 15 anos, o valor seria de R$ 63,54 – esse então é o custo de oportunidade. Repisando, o custo de oportunidade é o que você teria de recompensa ao escolher não comprar o item – no caso sugerido, a caneca.
Pois bem… dito isso, vamos ao custo total de propriedade, ou custo oculto de uso (manutenção, armazenamento etc). Afinal de contas, sabemos que manter um objeto físico por 15 anos gera microcustos quase imperceptíveis, que nunca calculamos, mas se acumulam com o tempo. Temos o custo de limpeza (água e detergente), que traduzido em números, com a ajuda da nossa querida IA, flutua entre R$ 15,00 e R$ 30,00, pensando numa média de 1.560 lavagens (nos 15 anos). Temos também o custo do cuidado (tempo), que pode ser traduzido em energia humana (energia vital), a mesma energia que trocamos por dinheiro em nossos empregos. Dessarte, ainda que de forma simbólica, há um custo envolvido na entrega do seu tempo para o cuidado do objeto. Há ainda o custo de armazenamento, que pode ser traduzido em custo do metro quadrado. Sabendo que a caneca ocupa um espaço no seu armário da cozinha, cada centímetro cúbico possui um preço passivo de armazenamento. Estimando de forma muito conservadora, esses custos invisíveis de manutenção somam pelo menos R$ 25,00 ao longo de uma década e meia.
Em suma, se somarmos todas as peças desse quebra-cabeça, ao longo dos 15 anos com a caneca, vamos chegar a conclusão de que o seu preço real é de aproximadamente R$ 108,54.
Sendo assim, podemos perceber a importância da reflexão pré-compra de cada item que vai adentrar nossa casa, e por consequência, nossa vida. Por isso devemos sempre nos perguntar antes da compra de cada objeto:
- Esse item vai ser importante para mim, sendo útil e trazendo alegria nos momentos de utilização? Ou será um grande fardo, ainda que de forma invisível?
Nota filosófica: Repetindo o que foi trazido na introdução desse artigo, é claro que esse cálculo ignora o valor utilitário e emocional da caneca (o prazer de tomar café nela todos os dias). Se o uso dela te trouxe bem-estar, esse "prejuízo" financeiro foi, na verdade, o preço de uma experiência.
BY JOTA RÊGO
Comentários
Postar um comentário